Aquela sensação silenciosa de que está faltando alguma coisa…

Talvez você conheça bem esse momento. Acontece, na maioria das vezes, quando as coisas se acalmam. Pode ser no trânsito a caminho de casa, no domingo à tarde, ou logo antes de dormir. De repente, surge um sussurro interno, uma inquietação familiar:

Parece que falta algo.

Nossa primeira reação costuma ser tentar decifrar esse enigma. Começamos a vasculhar nossa vida em busca da peça ausente. Seria um trabalho com mais propósito? Um relacionamento diferente? Mais dinheiro na conta? Uma viagem?

A cabeça humana é fantástica em criar mapas. Ela costuma nos contar uma história muito convincente de que, se alcançarmos o próximo grande marco, essa sensação de vazio finalmente vai desaparecer. E, às vezes, nós realmente alcançamos essas coisas. Sentimos alegria, alívio, celebração. Mas, passado algum tempo, lá está a velha sensação de novo, sentada no sofá da sala, esperando por nós.

Quando isso acontece, é comum pensarmos que há algo de errado conosco. Que não sabemos ser gratos ou que falhamos em construir uma vida boa.

Mas e se pudermos olhar para isso por um outro ângulo?

E se essa sensação de que falta algo não for um defeito seu, mas apenas a forma como a mente humana funciona? Historicamente, a nossa mente não foi desenhada para nos deixar em um estado de paz constante e relaxamento profundo. Ela foi projetada para resolver problemas, para buscar o que falta, para nos manter em movimento e seguros.

Em outras palavras, a sensação de falta talvez seja apenas o barulho do motor de uma mente que está funcionando exatamente como deveria.

Se considerarmos essa possibilidade, talvez a gente não precise transformar nossa vida de cabeça para baixo toda vez que essa inquietação aparecer. Talvez a gente não precise preencher esse espaço vazio imediatamente.

O que aconteceria se você pudesse apenas notar essa sensação com um pouco de gentileza? Como quem percebe que o clima mudou e o dia ficou um pouco nublado. O céu não precisa lutar contra as nuvens, ele apenas dá espaço para que elas passem no seu próprio tempo.

Ao invés de pausar a sua vida tentando descobrir o que está faltando, você pode se fazer uma pergunta diferente, voltada para o momento presente:

Mesmo com essa sensação de vazio me acompanhando hoje, o que eu posso fazer que é importante para mim agora?

Pode ser algo muito simples. Fazer um café e realmente prestar atenção ao sabor dele. Mandar uma mensagem para um amigo querido. Ler um capítulo de um livro. Focar no projeto que está na sua frente.

A vida que vale a pena ser vivida não costuma ser aquela onde todas as peças do quebra-cabeça estão magicamente encaixadas. Muitas vezes, ela é construída nos pequenos passos que damos na direção do que valorizamos, mesmo quando a sensação de que falta algo decide caminhar ao nosso lado.